Sérgio Machado reafirma a denúncia sobre Temer
Quem faz acordo de colaboração ‘assume o compromisso de falar a verdade’, diz
16 23:45
O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado - Luciana Whitaker / Luciana Whitaker/Valor/4-7-2012
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RIO E BRASÍLIA — Em nota, Sérgio MachadoPOR VINÍCIUS SASSINE E RENATA MARIZ
16/06/2016 23:17 / atualizado 16/06/20 rebateu Michel Temer, que chamou as delações dele de “levianas, mentirosas e criminosas”. O ex-presidente da Transpetro disse que reafirma todas as denúncias que fez. “Quando se faz acordo de colaboração, assume-se o compromisso de falar a verdade e não se pode omitir nenhum fato”, diz Machado, na nota divulgada no blog do colunista Lauro Jardim.
Ele reafirmou que, em setembro 2012, foi procurado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), com uma demanda de Michel Temer, então vice-presidente: “Um pedido de ajuda para o candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, porque a campanha estava em dificuldades financeiras”.
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Machado diz que, naquele mesmo mês, esteve na Base Aérea de Brasília com Temer, que embarcava para São Paulo. “Nos reunimos numa sala reservada”, escreveu ele, na nota.
Ao pedir a doação para a campanha de Chalita, segundo Machado, “o vice-presidente e todos os políticos citados sabiam que a solicitação seria repassada a um fornecedor da Transpetro, através de minha influência direta”. Machado completa: “Não fosse isso, ele (Temer) teria procurado diretamente a empresa doadora”.
O delator diz que, após esta conversa, entrou em contato com a Queiroz Galvão, que tinha contratos com a Transpetro, e viabilizou a doação de R$ 1,5 milhão ao diretório nacional do PMDB, que repassou os recursos à campanha de Chalita. “A doação oficial pode ser facilmente comprovada por meio da prestação de contas da campanha do PMDB”, escreveu Machado, que confirmou nunca ter estado pessoalmente com Chalita.
Machado afirmou que “todo mundo sabe da origem” do dinheiro que arrecadava para os políticos. Os procuradores da República que o interrogaram quiseram saber, no depoimento prestado em 4 de maio, para quem se destinava a propina, depois de o delator dizer que fez doação a Chalita “pedida através do vice Michel Temer”. Machado respondeu:
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“Um político sabe que as contribuições oficiais vêm dos investimentos da empresa. Quem me pediu o recurso para a candidatura dele (Chalita) a prefeito de São Paulo foi o vice Michel Temer. Via doação oficial, não houve dinheiro.
Os procuradores, então, questionaram Machado se os candidatos e arrecadadores de recursos sabiam que o dinheiro era propina.
“Eu nunca disse que era propina, mas eu acho que dificilmente alguém no meio político, que esteja em atuação, que tenha disputado eleição, não saiba como funciona o sistema”.

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