sábado, 15 de outubro de 2016

Nobres aberrações

Eduardo Cunha, Waldir Maranhão e André Moura são apenas alguns nomes que protagonizam um lamentável espetáculo de crimes e baixarias na Câmara dos Deputados


O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) (Crédito: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO)


André Moura, o líder do governo na Câmara: tentativa de homicídio no currículo
André Moura, o líder do governo na Câmara: tentativa de homicídio no currículo (Crédito:Michel Filho/Ag. O Globo)

Tempo? Põe tempo nisso, mas tempo da Câmara, não do STF. Aliás, não fosse o tribunal alijá-lo da função de presidente, é certo que Eduardo Cunha até hoje nela estaria. Foi o Supremo Tribunal Federal, em respeito a legalidade e ao justo clamor social, quem o mandou para casa. Se de sua casa ele continua mandando na outra Casa, a Legislativa, aí o vacilo é dos deputados, nada tem a ver com os magistrados. E, falando-se em Casa, vale cotejar a que Oscar Niemeyer projetou com a copa virada para baixo (Senado) com a outra que ele fez com a copa virada para cima (Câmara). Os 81 senadores cassaram por unanimidade e num tempo plausível (que em nada restringiu o direito de defesa) o mandato de Delcídio do Amaral, o delator-bomba da Lava Jato. E era isso mesmo que tinha de ser feito. Já os deputados arrastam um processo sem fim, envolvendo Eduardo Cunha, e isso constrange a Nação – assim como, igualmente constrangedora, é a presença de Waldir Maranhão (PP-MA) na presidência interina.
Ele está lá, pelo menos estava até o início da noite da quinta-feira 19, na base do “daqui não saio, daqui ninguém me tira” – e aonde vai segue-o um coro de colegas gritando “fora, fora, fora”. É tanta gente que a sessão da quarta-feira 18 foi presidida por Fernando Giacobo (PR-PR), parlamentar de sorte que já ganhou 12 vezes em loterias no período de duas semanas – e sua sorte continua, pois na sessão ele conseguiu que fossem votadas duas MPs que há tempos trancavam a pauta. Não bastasse toda essa barafunda, a Câmara permitiu que o réu da Lava Jato Eduardo Cunha emplacasse um aliado como líder do governo Michel Temer. Pressionado pelos 13 partidos que formam o chamado “centrão” comandado por Cunha, Temer não teve outra saída senão escolher o deputado André Moura (PSC-SE). Parte de seu currículo é peso-pesado: ele é réu em três ações penais na Justiça, uma delas sob a acusação de tentativa de homicídio.

Fonte: Revista Isto é

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