POLÊMICA
Greve? Não Estou Sabendo. A verdadeira Face de Paulo Gustavo.
AD JUNIOR - ABR 29, 2017Greve? Não Estou Sabendo. A verdadeira Face de Paulo Gustavo.Enquanto a maioria dos artistas LGBTs do mundo usam a sua imagem e seu alcance afim de trazer a reflexão e fazer com que as minorias sejam ouvidas, uma vez que estar no topo já é um ato político. No Brasil, o ator Paulo Gustavo prefere fazer sucesso rindo de minorias e se torna o ícone máximo de uma classe completamente desconectada com a realidade ao seu redor e que ainda samba na nossa cara em tom piadista.
Atenção bichas pretas e pardas, pessoas negras e minorias em geral: Cuidado quando um homem branco deseja normatizar pobreza, preconceito e segregação sócio-econômica através de piadas de mal gosto. Você pode estar dando ibope para um ser elitista. Será?
São Paulo, 28 de Abril de 2017
A ocasião? O evento da amfAR (Fundação para pesquisa da Aids) que reúne todos os anos celebridades nacionais e internacionais de peso para arrecadar fundos e acontece no mundo inteiro. Esse ano o evento no Brasil contou com a presença de algumas celebridades como Katie Holmes, a modelo Kate Moss e Julian Lennon filho mais velho do eterno John Lennon.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de São Paulo, ao ser perguntado sobre a greve que acontecia no mesmo dia e paralisou o país, o ator Paulo Gustavo teria respondido: “Greve? Não estou sabendo. Passei o dia inteiro gravando.” O ator teria concluído a fala dizendo que isso era assunto para outra ocasião.
A fala de Paulo Gustavo é um sinal claro de desconforto com a pergunta em um evento que na cabeça dele não cabe greve, pobre e discussões sociais. Alguém tinha que avisar a ele que esse evento é político também e uma resposta mais inteligente seria melhor aproveitada do que esse sinal claro de esnobismo. Aliás é uma das formas que pessoas com carreiras em ascensão ou recém estabelecidas usam para pautar suas posições: A ignorância.
Ignorância esta sobre a realidade ao seu redor, se comportando como as madames quatroncentonas que já caíram em desuso e se tornam caricaturas de si mesmas.
Folha de São Paulo 29.04.2017
Paulo Gustavo. Como são seus Personagens?
A realidade nos mostra como os personagens do Paulo Gustavo são em sua maioria eurocentrados, elitistas e caricatos (quando tratam do negro) e ainda por cima com pitada de black face. Não há nada de engraçado em nenhuma fala que desmerece quem mora nos subúrbios do Rio de Janeiro.
Seu personagens são feitos para a classe média se divertir, deitar e rolar. No 220 Volts, o ator faz piada de pobre, preto e gente humilde e até mesmo gays. Talvez sejam pessoas brancas e ricas que devem de fato ser as únicas pessoas que acham graça das piadas da Senhora dos Absurdos, por exemplo.
É bem verdade que a personagem de maior sucesso do ator é inspirada em sua mãe; Uma mulher de classe média que vive para os filhos e reclamar da vida. Mas os outros personagens que ele criou são basicamente quase todos pautados para diminuir as pessoas. Pode não parecer de primeira, mas o desconforto de vai tomando forma ao assistir capítulos e episódios de preconceito que se repetem a cada frase que o ator faz. Ele não tem limite nenhum.
Nos anos 80 e 90, Renato Aragão ensinou ao Brasil que era possível rir da bicha preta, chamar o homem preto de macaco e estereotipar o negro como pinguço. Chico Anísio chegou a fazer black face em alguns de seus personagens mas era de fato mais aguçado em suas piadas que traziam muitas verdades nas entrelinhas. Quando o Brasil entrava numa nova onda de entender que não há piada quando o alvo são os pretos, pardos e pobres. Paulo Gustavo, vem para reforçar estereótipos que já estavam caindo em desuso. Nem o Marcelo Adnet ousou ir tão longe! As piadas dos programas “Vai que Cola” e “220 volts” não trazem reflexão nenhuma e são um simples show de ódio classista.
A impressão que temos é que ele detesta pobreza de verdade e adora exaltar o branco, mais puro que o branco em sua falas “engraçadas” nos seus programas. É uma versão cafona do Caco Antibes. Um ser praticamente eugênico, Paulo Gustavo usa o privilégio da branquitude para falar absuridades que temos que engolir como se fosse humor.
Recentemente o ator teve que responder críticas por usar a black face na personagem Ivoneide. Uma caricatura da mulher negra da favela. Um horror.
Assim como as piadas ridículas de Danilo Gentilli à sua assistente de palco (Isso dava outro texto). As falas de Waldmiro no seu programa à personagem Terezinha, interpretada Cacau Protássio são um absurdo e nos Estados Unidos ou na Europa linchados pela crítica e opinião pública.
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