Estas fotos tristes farão você pensar duas vezes antes de ir ao zoológico
Imagens reproduzidas no livro “Captive”, declaradamente contra os zoológicos, mostram animais solitários justapostos a multidões de humanos que os olham com curiosidade, em meio às paisagens suburbanas e às barreiras que os mantêm cercados
Karin Brulliard Do “Washington Post” [25/07/2017] [18h41]
Trio de lobos do Ártico em um zoológico da Alemanha. "Esta imagem levanta a questão se o tédio, a falta de escolha, e a falta de autonomia que os animais experimentam diaramente nos zoos pelo resto de suas vidas pode justificar nosso entretenimento” Jo-Anne McArthur/The Washington Post
A fotógrafa canadense e ativista em defesa dos direitos dos animais Jo-Anne McArthur não nega que seu novo livro poderia ser descrito como enviesado. É justamente essa a ideia.
As imagens reproduzidas no livro “Captive” foram feitas em zoológicos de cinco continentes, mas não incluem fotos de funcionários dando mamadeira a filhotes de hipopótamos, fazendo ultrassonografias de pandas ou mesmo limpando jaulas. Elas foram feitas desde a perspectiva do público, e, disse McArthur, visam mostrar os animais como “indivíduos”, em oposição a representantes de suas espécies. As fotos são incomuns e às vezes marcantes, mostrando animais solitários justapostos a multidões de humanos que os olham com curiosidade, em meio às paisagens suburbanas e às barreiras que os mantêm cercados.
O livro é declaradamente contrário aos zoos, mas McArthur espera que ele seja visto como contribuição para a discussão pública crescente sobre os animais em cativeiro. Essa discussão ganhou destaque com a repercussão de incidentes envolvendo as orcas do aquário Sea World e a morte do gorila Harambe, mas também vem sendo travada na surdina entre administradores de zoológicos.
Segue uma entrevista com McArthur sobre seu livro, acompanhada por uma seleção de fotos do livro e das legendas acompanhantes, redigidas pela fotógrafa. Todas as fotos foram feitas em 2016.
A entrevista foi resumida e editada para possibilitar maior clareza.
P: Qual foi sua experiência com zoológicos antes deste projeto?
R: Tenho uma memória da primeira infância de um zoológico no Havaí. Um orangotango estava defecando em sua mão, passando a fezes sobre uma árvore e comendo-as. Todos os turistas estavam rindo, gritando e fazendo fotos. Nossa família também fez fotos. Eu só tinha estado em um ou dois zoos antes disso. As pessoas citam com frequência meu “amor” pelos animais. É verdade, mas apenas em parte. Sempre senti também uma preocupação com os animais. Muitas vezes senti tristeza por eles. Vê-los em exposição me parecia tão incômodo, tão doloroso. As pessoas todas olhando para eles, e eles nos olhando. Sei que não sou a única a me sentir assim.
Fonte:Gazeta do povo

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