segunda-feira, 24 de julho de 2017

Morre João Otávio, último filho de Brizola

POR FERNANDO BRITO 

Soube agora há pouco com atraso da morte de João Otávio Brizola, último filho que restava vivo de Leonel Brizola, sábado à noite, em São Paulo.

Com atraso porque até na morte João foi pessoa discreta, de pouco falar. Poucos souberam de seu câncer, fatal.

Conheci-o na campanha para o governo do Estadoem 1982, quando sofreu uma agressão de um policial e reagiu sem medo.

Claro que a imprensa, na época, transformou o agressor em agredido.

No primeiro governo do pai, trabalhou na coordenação das obras do Sambódromo e dos Cieps, com muita energia.

João teve uma infância sofrida, não apenas com o exílio, mas com inúmeras cirurgias para corrigir problemas de crescimento e, talvez por isso, jamais se descuidou do lado físico.

Foi a ele que, no final da vida, Brizola deu a função de liquidar os negócios de família no Uruguai e com ele fez a última viagem, sob o frio e a chuva do inverno  de 2004, na qual seu pai adoeceu e, debilitado, viu se manifestarem os problemas cardíacos que o matariam.

Só ano passado, muito depois da morte do pai, João Otávio animou-se a contar as luzes e sombras da vida familiar, sacrificada tantas vezes em nome da política e, sobretudo, sempre contaminada pelo ódio que nutria-se ao sobrenome Brizola.

Em “Minha Vida Com Meu Pai, Leonel Brizola” menos que uma queixa, o registro de quanto tudo isso roubou aos filhos o convívio paterno. Fui testemunha de um destes momentos quando, depois da derrota eleitoral de 1989, num café onde estavam ele e D. Neusa, pediram a ele que, a partir daí, tivesse mais tempo com a família.

Como se sabe, nunca teve.

Meu abraço final ao João, que sempre me dedicou grande consideração e respeito, como a ele dedico agora
Fonte: Tijolaço

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