sábado, 16 de setembro de 2017

HADDAD: SONHO DOS GOLPISTAS É DISPUTA ENTRE DIREITA E EXTREMA-DIREITA EM 2018

Cesar Ogata / SECOM
Em debate no 'Seminário Internacional Universidade em Crise: As razões do Agir', na USP, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) disse que Haddad os grupos que tomaram o poder com a derrubada de Dilma Rousseff podem estar correndo contra o relógio, mas têm "um sonho" para o ano que vem; "Na minha opinião, o sonho deles é uma disputa da extrema-direita com a direita. Se a direita disputar com a extrema direita, vai dar direita e então vão legitimar a agenda neoliberal, que vai voltar com força, porque com a legitimidade do voto. Esse é o sonho dos golpistas, e que não haja espaço para o campo da centro-esquerda de oferecer alternativa eleitoral viável", disse Haddad


Rede Brasil Atual – O Seminário Internacional Universidade em Crise: As razões do Agir, realizado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH), se encerrou na noite desta sexta-feira (15) com o debate "Qual o futuro das esquerdas?". Na discussão, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o deputado estadual no Rio de Janeiro Marcelo Freixo (Psol) concordaram em que a esquerda terá de se repensar diante do atual cenário pós-golpe no país. Juliana Borges, pesquisadora em Antropologia na Fundação Escola de Sociologia e Política, participou do debate, mediado pela professora da faculdade Maria Arminda do Nascimento Arruda.

Segundo Haddad, tanto do ponto de vista da direita como da centro-esquerda, "há hoje uma corrida contra o relógio". Para ele, o campo progressista precisa entender a complexidade do processo que levará o país às eleições de 2018. "Não será possível a esse campo, simplesmente, anunciar um resgate de um projeto que expirou, porque as condições estruturais da economia global se alteraram enormemente", disse. Uma solução de "resgate" de propostas que não condizem com o tempo histórico não convencerá o eleitor, em sua opinião. "Não vai passar confiança dizer que vamos reviver os tempos de 2005, 2010, não importa o recorte histórico. Está na memória do povo que ele vivia bem. Mas se a gente disser que aquilo é possível resgatar, não só é pouco como acho que não é real e verdadeiro."

Para o petista, a esquerda tem um ano para trabalhar um programa de governo à altura dos desafios colocados pela conjuntura nacional e a realidade mundial. Esse trabalho tem de ser feito com maturidade, "para que seja crível e exequível, porque não basta ser crível". A esquerda tem de se "repensar", defende Haddad.

Ele também questionou a necessidade absoluta de haver unidade entre as forças progressistas na disputa das eleições do ano que vem. "Talvez não exista possibilidade de unidade na esquerda em torno de um programa único. Mas isso não é problema, porque talvez nós tenhamos que testar mais do que uma hipótese e deixar o povo exposto a mais de uma possibilidade para que as discussões possam conduzir o processo com mais liberdade do que se forjarmos uma unidade que não seja verdadeira, que não tenha coerência interna."

Haddad prevê que os grupos que tomaram o poder com a derrubada de Dilma Rousseff podem estar correndo contra o relógio, mas têm "um sonho" para o ano que vem. "Na minha opinião, o sonho deles é uma disputa da extrema-direita com a direita. Se a direita disputar com a extrema direita, vai dar direita e então vão legitimar a agenda neoliberal, que vai voltar com força, porque com a legitimidade do voto. Esse é o sonho dos golpistas, e que não haja espaço para o campo da centro-esquerda de oferecer alternativa eleitoral viável" , disse.

"Nos Estados Unidos, eles perderam a mão e deu Trump, mas na França deu mais certo para o establishment e deu Macron. Isso vai dar trabalho, não é simples de fazer, tem que combinar com os 'russos', que são os eleitores", acrescentou Haddad.
Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário